segunda-feira, 21 de março de 2011

FREI LEÃO DE MAROTTA (FREI LEÃO RICCI)

Frei Leão de Marota (Frei Leão Ricci)

Frei Leão de Marotta (nome religioso que conservou até 1970, passando a ser chamado de Frei Leão Ricci), nasceu na cidade de Marotta (PE), Itália, no dia 2 de julho de 1914; seus pais: Giuseppe Ricci e Anunziata Gheti; no batismo, recebeu o nome de Sinibaldo Ricci; entrou no seminário capuchinho de Pêsaro (Itália) em 1923; em 1927, foi transferido para o seminário capuchinho de Fermo. Iniciou o noviciado no convento de Camerino (Itália) em 3 de julho de 1929, recebendo o nome de Frei Leão de Marotta (Fra Leone da Marotta); proferiu os votos temporários em 14 de julho de 1930 e fez a profissão solene (votos perpétuos) em 4 de agosto de 1935 na cidade de Loreto (AN) – Itália; cursou a Filosofia em ancona (AN) e Teologia em Loreto; recebeu o diaconato em 13 de março de 1937, pelas mãos de Dom Gaetano Malchiodi e foi ordenado sacerdote no dia 11 de julho do mesmo por Dom Francesco Borgongini Duca, Núncio Apostólico da Itália.
Igreja e convento N.S. da Piedade - Salvador - Bahia

Terminados os estudos e ordenado sacerdote, veio para o Brasil como missionário em 1938. Residindo no Convento da Piedade, em salvador (BA), foi professor de Teologia Moral e Direito Canônico dos estudantes capuchinhos de 1940 a 1952; foi assistente da Custódia da Bahia e Sergipe de 1946 a 1948; em 1952 foi eleito Custódio Provincial, exercendo a função até 1956.
Terminada a missão de Custódio Provincial, Frei Leão foi transferido de Salvador para Alagoinhas – BA, sendo vigário da comunidade e pároco da Paróquia de Santo Antônio de 1952 a 1962.
Em 1963, volta ao Convento da Piedade em Salvador, como diretor da Escola Gráfica Nossa Senhora de Loreto, cargo que exerceu até 1965.

Igreja e convento capuchinho de Esplanada - Bahia

Transferido para o convento de Esplanada, exerce as funções de pároco e de diretor da Escola Agrícola de 1966 a 1968.

Em 1969, é transferido para fraternidade de Alagoinhas onde permaneceu pelo resto de sua vida, desempenhando uma missão muito importante nessa cidade, deixando pelo exemplo de vida e testemunho de fé, marcas inesquecíveis no coração das pessoas que o conheceram.

Igreja São Francisco de Assis (capuchinhos) - Alagoinhas - Bahia


Chega a Alagoinhas com a nomeação de superior e ecônomo da fraternidade – missão exercida até 1971; continuou como Diretor Assistente da Ordem Franciscana Secular (OFS) e Vigário Paroquial; de 1978 a 1980, foi Vigário da Fraternidade; de 1981 a 1986, foi novamente Superior da fraternidade; de 1986 a 1987, foi Vigário Paroquial.

Frei Leão celebrando a Eucaristia

Somando os anos passados por Frei Leão em Alagoinhas, temos um total de 29 anos.
Quando foi superior a primeira vez, inaugurou o altar mor e os laterais da igreja de São Francisco, dando por concluías a obas daquele templo.
Durante toda sua permanência em Alagoinhas, ele soube conciliar o seu zelo de pastor que cuida a parte religiosa com o seu zelo pela parte social. Sua visão não era a de “salvar a alma” das pessoas, mas a pessoa toda – corpo e alma; matéria e espírito.
Quando foi pároco – a cidade toda era uma paróquia -, não havia água encanada na cidade; as pessoas pobres tinham dificuldades em conseguir água para o uso. Foi então que o pároco teve a iniciativa de construir um chafariz no bairro então denominado Favela (hoje, Santo Antônio).
Também, nem todos os alunos conseguiam matriculas nas escolas públicas, não havia escolas municipais. Logo, o Frei fundou as escolas paroquiais; a primeira funcionava em uma sala ao lado da sacristia da antiga igreja matriz; depois, fundou uma escola paroquial no referido bairro da Favela; deu continuidade ao Rosário da Caridade – instituição de caridade fundada por Frei Caetano de Altamira.
Foi obra sua o início da construção da nova igreja matriz de Santo Antônio, deixando quase concluída – hoje Catedral.
Deixando a função de pároco, não parou com as atividades sociais: Como Vigário Paroquial da Paróquia são Francisco de Assis e responsável pela comunidade de Alagoinhas Velha, organizou cursos profissionalizantes, como corte e costura, bordado, culinária e artesanato. Para esses cursos, contou com a ajuda de uma religiosa franciscana imaculatina, Irmã Laura, italiana; depois, fundou uma creche para crianças filhas de mães de baixa renda. Para expandir as atividades, fundou o Centro Comunitário de Alagoinhas Velha.

Lar Franciscano Emma Barbetti.


Frei Leão sempre se preocupou com os mais pobres e com os idosos abandonados. Como diretor assistente da Ordem Franciscana Secular (OFS), vendo entre elas muitas ancas desamparadas, penou em fundar uma instituição para abrigá-las na velhice. Com a ajuda da OFS e de pessoas amigas, adquiriu uma casa e aí começou a abrigar as franciscanas idosas desamparadas, dando o nome de Lar Franciscano. Como foi aparecendo a procura de abrigo por parte de outras idosas desamparadas que não eram franciscanas, surgiu a necessidade de ampliar as acomodações, construindo outro galpão no quintal da antiga casa. Por exigência das leis foi preciso legalizar essa instituição dando-lhe estatutos próprios. Assim nasceu legalmente o “Lar Franciscano Emma Barbetti”. Uma “sociedade civil, de fins filantrópicos, de caráter beneficente, educativo, cultural de assistência social, que tem por finalidade assistir à velhice em geral e, de modo especial, a velhice pobre e desamparada”. Sua fundação oficial data de 20 de setembro de 1971. O nome Emma Barbetti é em homenagem a uma italiana cunhada de Frei Leão que muito o ajudou na construção e manutenção da obra.
Não só a população alagoinhense em geral reconhecia o amor e dedicação do religioso a sua gente, mas também os poderes públicos. A Câmara Municipal de Vereadores de Alagoinhas concedeu ao Frei Leão o título de Cidadão Honorário de Alagoinhas, em reconhecimento do seu compromisso com a comunidade.
Frei Leão não dirigia automóvel. Suas andanças na cidade, pelos bairros e até zona rural eram feitas, de início, em bicicleta. Depois, deram-lhe de presente um motociclo denominado “motoneta”, um tipo de “mobilette”. Anos depois, deram-lhe uma motocicleta italiana tipo “Lambretta”. A “lambretta de Frei Leão” tornou-se popular em Alagoinhas.
O religioso querido de todos veio a falecer no Hospital São Rafael em Salvador no dia 24 de outubro de 1987. Sua morte foi causada por um acidente de trânsito, justamente no dia e no momento em que ele se deslocava do convento para a inauguração da creche, por ele fundada, no bairro de Alagoinhas Velha. Um carro que vinha saindo de uma rua transversal colidiu com sua “lambretta”. No choque, ele fraturou o fêmur. Sendo conduzido ao Hospital em Salvador, passou por uma intervenção cirúrgica bem sucedida; mas, dois dias depois, começou a passar mal, deixando os médicos preocupados com o seu estado, nada puderam fazer para evitar o óbito. Suas exéquias foram realizadas na igreja de São Francisco, em Alagoinhas.

Igreja de Santo Antônio - Alagoinhas Velha


Seu corpo foi sepultado no interior da Igreja de Santo Antônio em Alagoinhas Velha. Uma multidão imensa assistiu pesarosa as últimas homenagens prestadas a esse religioso que tanto amou e serviu a Alagoinhas. Faleceu aos 73 anos de idade e 50 de sacerdócio.

domingo, 6 de março de 2011

VIAGEM À ALEMANHA

MINHA VIAGEM À ALEMANHA



Às 13 horas do dia 20 de junho de 2009, saímos em dois microônibus de Alagoinhas com destino ao Aeroporto Dois de Julho – Salvador-BA, de onde pegaríamos o avião com destino a Frankfurt (Alemanha). Nosso destino era Passau - Alemanha. Motivo da viagem: comemoração dos 40 anos de parceria e solidariedade missionária entre as dioceses de Alagoinhas e Passau.

Éramos ao todo 24 pessoas representates das comunidades onde os padres alemães trabalharam ou que, de algum modo, estiveram envolvidas com as atividades pastorais realizadas por esses missionários. Eram elas:

Ana Rita - Praia do Forte
Aylton e Meire - Alagoinhas
Dom Paulo Romeu- Alagoinhas
Eliaci - Acajutiba
Elinaldo - Rio Real
Elizângela - Conde
Fabrício - Alagoinhas (Pinto de Aguiar)
Gildásio (diácono Gil) - Alagoinha
Ir. Maria Clara - Itamira
João Paulo - Nova Soure
Laína - Itamira
Mário - Alagoinhas (S. Teresinha).
Marlon - Acajutiba
Pe. Bernardo Kraus(alemão) - Praia do Forte
Pe. Edvânio - Alagoinhas
Pe. Irivan - Alagoinhas
Pedro (seminarista) - Alagoinhas
Poliana - Abadia
Rítler - Aporá
Silvani - Abadia
Tiago - Alagoinhas
Valdirene - Inhambupe
Veriscléide -Crisópolis .






O embarque estava previsto para as 17h. Duas horas antes já nos preparávamos para o protocolo de embarque (check in). Às 17 horas e pouco, já estávamos prontos para o embarque, mas o voo só aconteceu às 19h05 h. A empresa foi a Condor, subsidiária da Luftansa.
Viajamos na classe econômica. Vôo tranqüilo. Às 05h30 do domingo 21/07 (10h30 – hora local do destino), aterrissávamos em solo alemão, no aeroporto internacional de Frankfurt (Alemanha).
Terminado o protocolo de desembarque, saímos do aeroporto e logo fomos recepcionados pelo senhor Josef Talhammer – alemão, nosso velho conhecido e companheiro de trabalho em Alagoinhas nos ano 70. Ele estava com uma comitiva de representantes da Diocese de Passau (Alemanha) com posta por jovens e adultos.

Às 12h (horário local), pegamos o ônibus especial que estava à nossa espera para nos conduzir a Passau. Tínhamos 444 quilômetros de estrada pela frente. Durante a viagem, foram feitas as apresentação dos visitantes e dos que nos recebiam. O senhor Josef e Pe. Bernardo serviam de intérpretes. Fizemos somente uma parada para o lanche em um restaurante, às 14 horas.
Pouco antes das 17 horas, passamos pela cidade de Niederalteich, onde mora o casal Josef e Marlis Talhammer. Ele é o prefeito da cidade. Sua esposa – que também trabalhou em Alagoinhas e tem dois filhos brasileiros – já nos esperava com um lanche. Foi grande a emoção e alegria para mim, Aylton e Meire que, jovens ainda nos conhecemos e trabalhamos juntos com esse casal aqui em Alagoinhas. Encontramos também uma jovem senhora, morena que eles adotaram como filha aqui em Alagoinhas, quando criança. Hoje ela já é mãe.
Após o lanche, continuamos viagem com destino a Passau. Não estava longe. Chegamos às 17:25h. Uma comitiva nos esperava diante do Spectrum Kirche – local onde nós adultos ficamos hospedados. De dentro do ônibus eu já via nossos queridos amigos e companheiros de trabalho de outrora, Pe. Casemiro e Pe. Luis.

Dia 20/06/2009 - Fomos recebidos com alegria, mas sem beijos nem abraços – os alemães não são disso. Mas ao nos aproximar de Casemiro e Luiz, não podemos nos conter aos costumes alemães. O abraço foi à brasileira mesmo... Logo em seguida apareceu Pe. Geraldo que compunha a primeira leva de alemãs à diocese de Alagoinhas. Hoje ele continua trabalhando na Diocese de Guarabira – PB. Estava de férias em sua terra.
O Spectrum Kirche é um centro de treinamento da Diocese de Passau.
Nós adultos fomos conduzidos aos aposentos reservados para nós. Depois fomos conduzidos ao refeitório, onde fomos recepcionados pelo bispo diocesano Dom Guilherme, com palavras de boas vindas. Foi servida a janta. Depois, os jovens tomaram outro destino com o padre Bernardo (alemão que trabalha na Paróquia do Litoral, com sede em Praia do Forte - Ba).



Dia 22/06/09 – Os jovens seguiram outro roteiro e nós adultos fomos convidados a visitar os organismos da diocese de Passau: cúria diocesana, Casa são Maximiliano, seminário e outras. Visitamos uma instituição que comercializa produtos pequenos produtores de paises pobre; havia inclusive suco de laranja produzido em Rio Real - Ba. Visitamos a cervejaria da diocese. Ao lado da cervejaria há uma espécie de restaurante onde as pessoas se reúnem para beber, bater papo e comer. Seguindo o costume, jantamos aí. Fora há um lugar ao ar livre muito aprazível com muitas árvores, mesas por toda parte. Mas a tarde estava chuvosa, ficamos dentro mesmo. Conosco estavam muitos alemães nossos conhecidos que trabalharam na diocese de Alagoinhas. A conversa foi animada onde relembrávamos tantos fatos e pessoas de nossa juventude. Saímos às 21h.


Dia 23/06/09 – Pela manhã, Dom Paulo foi com Aylton e Meire para uma entrevista com a mídia. Eu com Guilherme, Maria clara e Eliaci fomos dar um giro pela cidade. O tempo estava chuvoso. Visitamos a catedral. Depois chegou Pe. Bernardo com o grupo dos jovens e nos juntamos e o cicerone foi nos mostrando as obras de arte e contando história relativas. Foi então que chegou o Pe. Geraldo e se juntou a nós. Os jovens seguiram outro roteiro e as mulheres voltaram pra casa. Fiquei com Guilherme para assistir um concerto de música clássica na catedral. Isso acontece todos os dias ao meio dia. É pago. A catedral ficou repleta de turistas para assistir ao concerto. Assistimos de cortesia por sermos convidados especiais da diocese. O órgão da Catedral de Passau é o maior órgão cristão do mundo.
Após o concerto, Pe. Casimiro veio nos pegar e levar para o Spetrum Kirche. A turma já estava no refeitório almoçando.

À Tarde, tivemos um encontro com o prefeito de Passau. Saindo da prefeitura, participamos de uma romaria organizada pelos jovens ao santuário de Mariahilf (Nossa Senhora da Ajuda – tradução em português). Este é o santuário Mariano mais antigo da Alemanha. Fica numa colina dentro da cidade, às margens do Rio Danúbio que corta a cidade. Umas escadarias de 310 degraus levam os peregrinos da margem do rio ao topo da colina. Foi um momento de espiritualidade dos jovens e nós adultos acompanhamos. Enquanto se subia, faziam-se paradas para leituras bíblicas, reflexão e cânticos religiosos. Leituras e cantos eram alternados em alemão e português.
Chegando ao topo, entramos no santuário; foi narrado em português um resumo da história do santuário. Dom Paulo, que já estava lá com Pe. Edvânio na cadeira de rodas, deu a bênção. Fomos levados ao refeitório do convento onde moram uns monges paulinos. Estão aí de pouco tempo, pois até 2002, eram os capuchinhos que moravam nesse convento e cuidavam do santuário Mariahilf. Jantamos aí. Quem leu para nós o resumo da história do santuário foi uma jovem senhora que já estivera no Brasil como missionária leiga. Voltamos para a pousada.
Eram mais do 20h. O sol ainda estava alto. Como não éramos galinha para dormir com o sol fora, Guilherme e eu pegamos um táxi e fomos ao centro da cidade. O destino era um shopping que havia inaugurado fazia pouco tempo. O taxista nos informou em inglês que faltavam somente 10 minutos para o shopping fechar – eram 20h50. Diante disso, pedi ou taxista que nos levasse a um restaurante italiano (são muitos) onde não se devesse pagar muito caro. Fomos atendido no pedido. O restaurante era italiano, mas só gerente falava italiano. Era um italiano nato. A noite estava chuvosa, fazia um friozinho gostoso. Primeira coisa que pedi ao gerente (em italiano) era onde se podia “fare la pipi” – modo infantil de dizer que queria fazer xixi. Depois da “pipi”, nos sentamos á mesa e pedimos “um bichierotto di um buon vino” (um copinho de um bom vinho). Fomos servidos com uma bela taça de vinho e ficamos bebericando e conversando. De vez em quando, bisbilhotando alguma coisa em italiano. Guilherme tentava se comunicar com o inglês dele. Após o vinho, pedimos um café expresso. Na hora de pagar, esnobei pedindo a conta em alemão. Se falei certo, não sei, mas ele entendeu muito bem o que eu queria.
Qual não foi nossa surpresa, ao vermos na prateleira do restaurante uma garrafa de cachaça da marca Pitu, fabricada em Pernambuco.


Saindo dali, ficamos andando pelo calçadão olhando e comparando os preços dos objetos nas vitrines. Não por economia, mas decidimos voltar à pousada a pé. Atravessamos a ponte do rio Inn (um dos 3 rios que cortam Passau) e tivemos que subir uma longa ladeira, como algumas de Salvador. Passava de 11 horas da noite. Nenhum receio tínhamos de andar por ruas desertas àquela hora. Estávamos em um pais de primeiro mundo, onde não há grade nas portas e muito menos cerca elétrica nos muros. Nenhum policial nas ruas.
Não há porteiro na pousada. A porta é fechada depois do movimento, mas a própria chave do nosso apartamento, abre a porta de entrada da pousada. Depois das atividades do dia, sentei na cama e escrevi essas linhas.

Dia 24/06/09 – Após o café – que acontecia sempre às 8h30 – um ônibus já nos esperava para irmos a Salzburg, na Áustria. A fronteira Alemanha e Áustria está ali pertinho de Passau. Mas Salzburg está a 120 km de Passau.
Salzburg é uma cidade muito antiga da Europa. Famosa por ser a terra natal de Mozart. As ruas estão sempre cheias de turistas... A 1h da tarde foi difícil encontrar vagas em um restaurante para almoçar. Tivemos que nos afastar um pouco do centro para encontrar onde comer. Almoçamos em um restaurante italiano – pizza e macarrão ao molho de tomate. Pena que ao invés de vinho, tomamos cerveja. Uma cerveja ótima; parecia chope.
O dia esteve sempre chuvoso e o rio Danúbio, que também banha esta cidade, estava com grande volume de água.
Durante a viagem, podiam-se ver campos verdejantes cultivados de trigo, cevada e milho (milho só pra forragem dos animais durante o inverno). Pelos campos, muitos rolos de feno prontos para a silagem. Algumas vacas pastando ao ar livre e, aqui e acolá, veados também pastando pelos campos. Ao longo da estrada, muitas placas chamando a atenção dos motoristas: “Cuidado!Veados na pista”.
Chegamos às 19h e não tivemos janta porque o pessoal de serviço já tinha ido embora. O senhor que nos acompanhava providenciou salame, lingüiça, queijo e pão; fomos para a adega (cantina) e lá improvisamos um lanche acompanhado de vinho ou cerveja. Na cantina não há funcionário. Os clientes pegam as bebidas e outros coisas e deixam o dinheiro num cestinho que fica em cima do balcão. Era dia de São João Batista. Ficamos até tarde comendo, bebendo e conversando.
Na cantina havia também um grupo de jovens alemães bebericando e conversando. O que nos chamou a atenção foi o número pequeno de garotas entre eles. Mesas só com rapazes; e as mesas onde havia moças, elas se comportavam como irmãs. Muito diferente da nossa juventude nessas ocasiões. Nada de “agarra-agarra”, carícias ou galanteios.
Nossa despesa foi paga pela organização do evento. Quem quis algo mais do que foi oferecido, pagou o que consumiu, segundo o costume da terra (dinheiro no cestinho).

Dia 25/06/09 – Tivemos dois compromissos neste dia. O primeiro, pela manhã, foi em Niederalteich – onde mora o casal Josef e Marlis Talhammer e onde ele é prefeito da cidade. O segundo, à tarde em Eichendorf (antiga paróquia de Pe. Bernardo, hoje vigário em Praia do Forte - Bahia).

Em Niederalteich, fomos recebidos pelo prefeito no salão nobre da Prefeitura. Fomos apresentados e ouvimos a narração histórica da cidade; visitamos uma escola (universidade) de formação agrícola e assistimos uma palestra sobre uma organização chamada Eins Welt (Um só Mundo) que dá assistência e solidariedade com os países do Terceiro Mundo e aos países em desenvolvimento. Além das autoridades, estava presente uma deputada federal filha da região e uma senhora peruana que mora há 32 anos na Alemanha. Esta senhora intermédia o comércio de produtos de comunidades pobres de vários paises em via de desenvolvimento em todos os continentes e lança no mercado alemão. Almoçamos no refeitório da universidade.
À tarde, fomos à cidade de Eichendorf, antiga paróquia de Pe. Bernardo. Toda a comunidade estava representada e participou da missa celebrada por Dom Paulo. Após a missa, houve um jantar para todos, acompanhado de um concerto onde foram executadas músicas brasileira e alemãs. Foi apresentado um vídeo narrando a caminhada dos Missionários (padres e leigos) da Diocese de Passau e na Diocese de Alagoinhas durante os 40 anos de parceria e solidariedade missionária entre as duas dioceses.
Finalizando, os jovens improvisaram um forró e os alemães caíram nele, todos desengonçados, mas se divertiram bastante. A turma teve que se virar para ensinar os passos do forró o do samba aos nossos anfitriões. Chegamos a Passau a 01h da manhã.
Dia 26/06/09 – Pela manhã, visitamos a casa onde Bento 16 nasceu – Marktl e a igreja onde ele foi batizado. Daí, fomos a Altötting, cidade natal de Pe. Casimiro e de sua irmã Anna Spielmann. Fomos recepcionados pelo prefeito da cidade e autoridades. Foi-nos contada a história da cidade e a ida dos missionários de Altötting para a Alagoinhas. A comunidade preparou para nós um almoço na Casa da Juventude. Seguiu-se a visita ao santuário de Nossa senhora de Altötting, santuário mariano mais antigo da Alemanha. Esta cidade é tida como o coração da Baviera. Visitamos ainda a igreja dos padres capuchinhos onde se encontram os restos mortais de São Conrado de Parzham – OFMCap. Aí, dom Paulo celebrou a missa participada pela comunidade. A comunidade nos levou a um restaurante onde jantamos e depois foi apresentado o vídeo da caminhada dos 40 anos dos missionários da Diocese de Passau em Alagoinhas e cidades da Diocese. Os jovens brasileiros fizeram uma apresentação de nossa música e dança populares. Chegamos de volta a Passau às 23 horas.

Dia 27/06/09 – Pela manhã, assistimos na Catedral a ordenação de cinco novos padres. Após a ordenação, foi servido um almoço no refeitório do Seminário Maior.
À tarde, Pe. Casimiro levou a mim, Aylton e Meire para Altötting. Fomos recebidos em sua casa. Ele morava com sua irmã Anna, mas essa havia morrido alguns meses antes. Ele agora mora sozinho. Conversamos muito lembrando nossos velhos tempos na Paróquia Santo Antônio em Alagoinhas. Os trabalhos sociais e religiosos na sede da paróquia e nas comunidade. Lembramos muitas pessoas que foram nossas companheiras de atividade.
Aylton havia levado um álbum com fotos das atividades desenvolvidas naquela época. Vimos muitas fotos das pessoas que trabalhavam conosco. Todos nós jovens ainda. Lembramos histórias e fatos de cada um. Casimiro lembrou muito de Anna e nós igualmente. Mostrou fotos de seus pais e irmãos ainda pequenos em Altötting e narrou fatos ocorridos durante a Guerra da guerra de 1945. Fomos até o cemitério e visitamos a sepultura de Anna.
Depois Casemiro nos levou ao Hotel Planck onde jantamos em companhia de Pe. Geraldo que havia chegado naquele momento. Nós três visitantes ficamos hospedados naquele hotel onde dormimos duas noites.

Dia 28/06/09 – Hoje Pe. Casimiro era esperando em Unter neu Kirche, uma cidade que foi sua primeira paróquia antes de ir ao Brasil. Fomos com ele de Altötting até lá. A comunidade já o esperava em frente à prefeitura. Foi recebido pelo prefeito e, depois, em cortejo, dirigimo-nos igreja antiga onde ele celebrava e de lá para a nova igreja e lá ele celebrou a missa de seus 50 anos de sacerdócio. Ao som do órgão, foram executados o Kyrie, Gloria, Credo, Sactus e Agnus Dei em gregoriano e em latim. São cantos antiqüíssimos mais muito conhecidos pela comunidade católica romana.
Após a missa, houve o almoço para toda a comunidade em mesinhas espalhadas pela pracinha e num amplo refeitório de uma escola aí situada. No final prestaram uma homenagem ao padre festejado, onde pessoas adultas e crianças ofereceram ramalhetes de flores e presentes. Conosco estiveram o padre Geraldo e um casal conhecido – Matias e Vilma. Ele alemão e ela de Alagoinhas. Moram na Alemanha, perto de Munique. Encontramos Catarina, uma moça alemã que trabalhou em Acajutiba e no Conde. Voltamos a Altötting e ficamos no hotel onde dormimos e, no dia seguinte.

Dia 29/06/09 - Casimiro nos levou de volta a Passau. Aqui, os outros do grupo dos adultos nos esperavam. Com o senhor Carmelo e Pe. Jorge, visitamos uma obra mantida pela Cáritas Diocesana de Passau em Grubweg, perto de Passau. É um colégio – Shule St. Severin - para crianças e jovens com deficiência, onde são usados os meios de reabilitação mais modernos. Fomos recebidos com uma apresentação de cantos pelos próprios alunos. Diretores e professores fizeram uma exposição de todos os trabalhos ali desenvolvidos e nos mostraram as oficinas e salas de aula. Foi-nos oferecido um lanche, ocasião em que aproveitamos para trocas de idéias. Pessoal muito alegre e comunicativo.
Depois, o grupo se dividiu. Alguns foram à paróquia de padre Jorge e outros voltamos para Passau e fomos almoçar em um restaurante ao ar livre com vista para o Rio Danúbio. O sol brilhava e não fazia muito frio.
Às 17 horas, fomos à catedral para uma missa com os benfeitores alemães da Diocese de Alagoinhas. Dom Paulo presidiu a celebração na Capela Santo André, tendo como concelebrantes os padres Casimiro, Geraldo e outros alemães. Após a missa houve um jantar em companhia dos benfeitores, no refeitório do seminário maior. Mais uma vez foi passado o filme das atividades dos missionários de Passau na Diocese de Alagoinhas durante os 40 anos de parceria.

30/06/09 - Hoje cedo, fomos a Frauenau onde Pe. Roberto é pároco. Ele é um dos padres alemães que trabalharam na Diocese de Alagoinhas juntamente com os padres Jorge e José Göppinger, após o retorno à Alemanha dos padres Casimiro, Geraldo e Luís. O padre Roberto aniversariava neste dia. O almoço foi em um restaurante. Pe. Casimiro nos acompanhava.
De Frauenau, fomos a Tittling, local onde Pe. Luís trabalhou depois de sua volta do Brasil. Hoje, ele mora em um abrigo de idosos aí mesmo em Tittling, um local muito bonito, confortável e aconchegante. Foi uma alegria enorme esse encontro para todos nós, principalmente para mim, Aylton e Meire que acompanhamos de perto todo o seu trabalho social na Diocese de Alagoinhas. Muita coisa e muitas pessoas foram relembrada durante os momentos que passamos juntos. Pe. Luís nos apresentou um livro escrito por ele, contando sua vida e suas atividades missionárias no Brasil. Pena que não está ainda traduzido para o português.
Após revivermos o passado juntos, fomos a um restaurante próximo a um pequeno lago, onde jantamos. Lembramos que todos esses almoços e jantares não eram só momentos de comer e beber, mas de muita conversa e recordações e saudades.
Logo que chegamos, visitamos uma importante fábrica de cristais da Alemanha, instalada em Tittling.
Terminada a visita ao querido amigo Pe. Luís, voltamos a Passau.

Dia 01/07/09 - Ás 7 horas da manhã, fomos de trem a Munique (München); visitamos a parte antiga da cidade, mercado popular, a catedral onde Bento XVI exerceu o seu episcopado antes de ser eleito papa, e a Vila Olímpica. Almoçamos em um dos parques da cidade – semelhante ao Hyde Park de Londres. Por toda parte viam-se pessoas com trajes típicos indicando a região do planeta de onde proviam: mulheres de saris, de burcas e de outras vestes orientais.
Em Munique nos deslocamos sempre de metrô – meio de transporte muito organizado e rápido. Como tive toda minha infância e adolescência ligadas à estrada de ferro, curti bastante a viagem de cerca 200 quilômetros de Passau a Munique. Viajamos em um trem popular, porém muito veloz e confortável. Chamou-me a atenção a facilidade que as pessoas têm em entrarem na classe do trem com suas bicicletas e cadeiras de roda, sem causar nenhum incômodo aos passageiros.
Às 22 horas, já estávamos de volta ao Spectrum Kirche, local em Passau onde estávamos hospedados.

Dia 02/07/09 – Tempo livre pela manhã. Com Aylton e Meire fomos ao Shopping de Passau, andamos pelas praças e jardins, e, ao ar livre, tomamos um chopinho; fazia sol e o dia estava lindo. Guilherme também estava conosco, mas tomou outro rumo. Dom Paulo, lá pelas 12 horas, apareceu com mais alguns do grupo. Voltatos de taxi para o Spectrum Kirche onde almoçamos. Tempo livre até às 17 horas.
Às 17 horas, na capela do Spectrum, realizou-se a missa de despedida, concelebada por Dom Paulo, Dom Guilherme (Wilhelm), bispo de Passau, e outros padres presentes. Após a missa, foi a assinado um temo confirmando a parceria de solidariedade missionária entre as duas dioceses: Passau e Alagoinhas.
Logo após, Os dois grupos brasileiros, o grupo alemão que organizou o encontro, as pessoas que nos acompanharam durante esses dias, o bispo de Passau e o de Alagoinhas e padres reunidos em um salão do Spectrum, fizemos uma avaliação do encontro, onde muitos depoimentos individuais de ambos os lados foram apresentados, destacando os frutos colhidos dessa parceria Brasil e Alemanha durante os 40 anos transcorridos. Foi servido um lanche regado àquela cervejinha típica e outras bebidas não alcoólicas, salgadinhos e outros. Despedida coletiva e individuais num clima de alegria e fraternidade. Depois, silêncio, arrumação de malas para o retorno e repouso. No dia seguinte, tínhamos que partir com destino a Schoellnach, cidade onde Pe. José Göppinger é pároco. De lá, seguiremos para Frankfurt, onde no outro dia, pegaremos o avião de volta ao Brasil.

Dia 03/07/09 – Pela manhã, deixamos Passau e seguimos para Schoellnach, onde Pe. José já nos esperava. Era festa na cidade; uma festa civil típica que acontece todos os anos nesta época do ano. Participamos dos festejos, assistimos os desfiles e, depois, fomos para uma espécie de clube da cidade. Muita comida e bebida eram servidas, música, dança, animação ao estilo e gosto da população local. Muitas pessoas adultas, jovens e crianças vestidas com trajes típicos regionais e locais. Enquanto tudo acontecia, sempre sobrava um espaço de tempo para relembrar, com Pe. José e com outras pessoas alemãs que estiveram trabalhando aqui no Brasil, amigos, amigas, fatos e situações agradáveis vividas em nossa terra.
Quem teve disposição ficou na festa até o fim; nós outros, aproveitamos para tirar um cochilo na casa paroquial até a saída do ônibus que nos levou a Frankfurt nas primeiras horas da manhã.

Dia 04/07/09 – Do aeroporto de Frankfurt, levantamos vou em direção ao Brasil no avião da Condor. Viagem maravilhosa. À noitinha do mesmo dia, já estávamos de volta em Alagoinhas.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

FATOS QUE NOS ENVERGONHAM

Não obstante o “Ficha Limpa”, vejamos o que a imprensa publica:
http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/02/59-deputados-federais-que-tomam-posse-sao-processados-por-crimes.html
“59 DEPUTADOS FEDERAIS QUE TOMARAM POSSE SÃO PROCESSADOS POR CRIMES”.
“Ao menos 59 dos 513 deputados federais que tomam posse nesta terça-feira (1º) chegam à Câmara na condição de réus em ações penais, ou seja, respondem a processos nos quais são acusados de crimes, de acordo com levantamento realizado pelo G1 em 61 tribunais, entre eles o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF)”.
“Juntos, os 59 deputados do levantamento deste ano respondem a pelo menos 92 processos – em alguns casos, o deputado é acusado pelo Ministério Público por mais de um crime. A maioria das acusações se refere à administração pública, como crime contra a Lei de Licitações, peculato (quando o funcionário público se apropria de bens ou valores públicos) e corrupção. Há ainda casos de crime contra o sistema financeiro, crimes eleitorais e até crimes contra a pessoa, como homicídio e lesão corporal”.
RESUMO: 93 processos, 125 acusações, das quais: 53 crimes relacionados á administração pública; 19 crimes financeiros; 18 crimes contra a fé ou paz pública; 15 crimes contra a honra; 10 crimes eleitorais;6 crimes contra a pessoa; 4 crimes variados (contra o meio ambiente, Segurança Nacional etc.).
“O desembargador Fernando Tourinho Neto, que atua no Tribunal Regional Federal da 1ª Região e é vice-presidente da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), afirma que é preciso cautela para não condenar antecipadamente um cidadão que responde a processo judicial”.
“Uma pessoa ser denunciada não quer dizer que praticou o fato. Isso vai para instrução, para ser apurado. Pode ser condenada, mas pode ser inocentada. A Constituição prevê a presunção de inocência, até que haja uma condenação transitada em julgado. A Constituição é para todos, o direito protege a todos nós”, afirma o magistrado.
O que nos decepciona é que sempre acham um jeito de “inocentar” os culpados, isto é: Isentá-los de responsabilidade ou culpa. Se a Justiça é lenta para um cidadão comum, muito mais ainda quando se trata de um político. Por parte do Congresso Nacional torna-se difícil punir um parlamentar corrupto. Tem o espírito de corporativismo por um lado e, por outro, tem a influência e má vontade do Legislativo em punir um membro da base aliada. O eleitor que poderia puni-los nas urnas, não o faz ou por não conhecer o candidato ou em ter que votar nele, mesmo corrupto, porque seu amigo político o indica e exige fidelidade em nome da amizade ou dos favores recebidos durante a campanha eleitoral.
E aí? E aí, só tendo paciência e esperar até que o eleitor brasileiro se conscientize de que não se deve votar em candidato que sujou sua ficha.
BASTA DE CORRUPÇÃO!
O Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB (CONSEP) divulgou em dezembro de 2009 uma nota exigindo "um basta à vergonhosa situação de
“Nós, bispos membros do Conselho Episcopal de Pastoral (CONSEP), reunidos em Brasília, na sede da CNBB, em 10 de dezembro de 2009, em vista de nossa missão de promover a ética e a fraternidade no concerto social, exigimos que seja dado um basta à vergonhosa situação de corrupção em nosso país.
O Dia Mundial de Luta contra a Corrupção, comemorado ontem, nos faz olhar para o Brasil, onde grande número de cidadãos eleitores tem sido traído por aqueles que foram eleitos, dadas as suas atitudes ilícitas no trato da coisa pública. Nas esferas nacional, estadual e municipal, bem como nas três instâncias dos poderes do Estado Brasileiro, os Executivos, Legislativos e Judiciários, o que temos continuamente são as escandalosas situações de corrupção, como se vê hoje no Distrito Federal, em que agentes públicos, eleitos para promover o bem comum, são descobertos repartindo o fruto de seu crime. Causa-nos repulsa ainda mais quando tais pessoas unem-se numa blasfêmia em forma de oração como a pedir que Deus lhes seja companheiro no roubo praticado.
A consciência cidadã não permite calar e deixar a corrupção corroer e minar as estruturas sociais.
A impunidade causa desânimo e ao mesmo tempo torna-se agente provocador de grandes injustiças. Por isso mesmo, consideramos pertinente toda manifestação dessa mesma consciência, desde que feita na ordem e no respeito ao patrimônio público, e repudiamos qualquer violência do Estado sobre ela.
Os que buscam o exercício de cargos públicos, eleitos ou não, devem fazê-lo com uma profunda consciência cidadã, para a qual o exercício do poder, qualquer que seja, deve se traduzir num real serviço ao bem comum. A corrupção deturpa a democracia que tem no povo o princípio do Poder. E não nos esqueçamos dos que promovem os atos de corrupção através do poder econômico. Daí se exigirem providências enérgicas, medidas saneadoras, e uma legislação que puna exemplarmente todos os implicados em tais atos. Como nos diz o profeta, “sem punição não te posso deixar” (Jr 16,28).
Para acabar com a impunidade, uma das ações eficazes é o aprimoramento da legislação. E o momento presente pede urgência! Por isso mesmo, lembramos os mais de 1.500.000 eleitores que protocolaram no Congresso Nacional o Projeto de Lei popularmente denominado “Ficha Limpa”. Através deste exigem a mudança na legislação a fim de que seja impossibilitada a eleição dos condenados em primeira instância por crimes graves, e de tornar inelegível a quem renuncia ao cargo para não ser cassado. Insistimos na urgência para a votação do citado Projeto de Lei pelo Congresso.
Rogando a Deus que ilumine os políticos para que sejam fiéis ao mandato, na firmeza da atuação pela causa do bem comum, a serviço da Nação brasileira.
Brasília-DF, 10 de dezembro de 2009
Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana, Presidente da CNBB;
Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo de Manaus, Vice-Presidente da CNBB;
Dom Dimas Lara Barbosa, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Secretário-Geral da CNBB.

O Diário Oficial da União de 07 de junho de 2010 publicou a sanção presidencial à Lei da Ficha Limpa. É a Lei Complementar 135/2010 proíbe a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados da Justiça. Depois de muita discussão, a Lei entrou em vigor, valando para as eleições de 2010. Muitas candidaturas foram barradas, mas algumas driblaram a Lei.
Foi importante a intervenção e colaboração da Igreja através da CNBB. A Igreja desempenhou um papel muito importante na luta pela redemocratização do Brasil durante o Período de Exceção; manteve uma atitude de vigilância em relação às atividades dos governos antes do governo do PT. No governo petista, ela ficou demasiadamente silenciosa, muitos bispos e padres se acomodaram e fizeram que não enxergavam os desmandos e a currupção que se multiplicou e se alastrou de 2002 a 2010. As pastorais sociais enfraqueceram-se em algumas dioceses e paróquias.
Urge que a Igreja no Brasil tome uma atitude mais vigilante, crítica e enérgica em relação à administração pública nos três níveis e não tenha medo de denunciar. Que nas dioceses e paróquias se fiquem mais atentos às Campanhas “Quem não deve não teme” e aos atentados á Lei da “Ficha Limpa” e a tantas campanhas do gênero. Para termos um Brasil que queremos temos que colaborar com a sociedade e com o Governo. Olho atento ao governo dessa senhora que tomou posse como Presidente e nos atos do Congresso e de cada deputado, senador até o prefeito e vereador do município mais distante.

domingo, 23 de janeiro de 2011

NOVO ARCEBISPO PARA SALVADOR



Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, scj, será o novo arcebispo da Arquidiocese de Salvador. O papa Bento XVI publicou hoje (12), em Roma, a nomeação de Dom Murilo. Já na Arquidiocese de Salvador o pronunciamento foi feito pelo Cardeal Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo em entrevista coletiva, na Catedral Basílica de Salvador, no Pelourinho.
Dom Mauro atualmente é o arcebispo de Florianópolis, função que ocupa desde fevereiro de 2002. A posse como Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil deve acontecer no dia 25 de março, na Catedral Basílica, no Terreiro de Jesus, em Salvador. O horário ainda não foi definido.
Já Dom Geraldo permanece a frente da Arquidiocese de Salvador até a posse de Dom Murilo e a partir de então torna-se bispo emérito de Salvador. Com a aposentadoria, Dom Geraldo mantém as funções de cardeal, mas deixa de administrar uma diocese. Desde 2008, era aguardada a nomeação de um novo arcebispo para Salvador, pois seguindo o direito canônico, ao completar 75 anos, em outubro daquele ano, Dom Geraldo solicitou ao papa a aposentadoria. A Arquidiocese de Salvador é a primeira diocese do Brasil e a partir dela todo o trabalho da Igreja no país foi sendo organizado. Atualmente, 15 municípios integram o território da Arquidiocese e juntos contam com uma população de mais de 3,5 milhões de pessoas de acordo com dados de 2009 do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Além da capital do estado da Bahia, integram o território da Arquidiocese o Recôncavo baiano, as ilhas e parte do Litoral Norte. O trabalho pastoral está distribuído em 112 paróquias e 4 capelanias militares.
Para animar a vida pastoral na Arquidiocese o novo arcebispo contará com a ajuda do bispo auxiliar dom Gregório Paixão, osb, cerca de 250 padres (entre diocesanos e religiosos), além de religiosas e milhares de leigos envolvidos com os movimentos eclesiais, pastorais e ações sociais.

Biografia de Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, scj

Catarinense de Brusque, onde nasceu a 19 de setembro de 1943, Dom Murilo teve a vocação sacerdotal despertada ainda quando criança. Sexto filho de nove irmãos, de tradicional família brusquense (seus pais: Oscar e Olga), realizou os estudos de primeiro e segundo graus no Seminário de Corupá, SC, na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Em 1964 ingressou nessa Congregação e iniciou o curso de filosofia em sua cidade natal. Os estudos de teologia foram na cidade de Taubaté, SP (1966-1969). Dom Afonso Niehues foi quem presidiu sua ordenação presbiteral em sete de dezembro de 1969, em Brusque.
O início de seu ministério pastoral foi em Taubaté, onde trabalhou na Paróquia Sagrado Coração de Jesus (1970) e fundou o Movimento Shalom, para jovens. De 1974 a 1979 foi Reitor do Instituto Teológico S.C.J., de Taubaté. Nomeado Superior Provincial de sua Congregação, exerceu essa função de 1981 até 1985, quando foi nomeado Bispo Auxiliar de Florianópolis, pelo Papa João Paulo II, no dia 16 de fevereiro.
Sua ordenação episcopal aconteceu em Brusque, no dia 28 de abril de 1985, presidida por Dom Afonso Niehues, o mesmo que o ordenara padre 15 anos antes. Escolheu como lema episcopal: “Deus caritas est” (1Jo 4,16). Trabalhou com Dom Afonso até março de 1991 e com Dom Eusébio Oscar Scheid de março a junho de 1991. Nesse ano, no dia 22 de julho, assumiu a Diocese de Ponta Grossa, PR .
Seis anos depois, no dia 11 de julho de 1997, assumiu a Arquidiocese de Maringá, PR. Dia 20 de fevereiro de 2002 foi nomeado Arcebispo de Florianópolis, assumindo essa Arquidiocese dia 27 de abril de 2002.
É autor de vários livros, escreve em revistas e jornais e tem programas na televisão, sempre com o intuito de evangelizar. Dentre as obras publicadas, destacam-se: Shalom: A Paz ao Alcance da Juventude (Loyola); O Primeiro, o Último, o Único Natal (Loyola); Com Maria, a Mãe de Jesus (Paulinas); Um mês com Maria (Paulinas); Anunciai a Boa Nova (Canção Nova).

http://www.fecatolica.com.br/noticia.php?id=286

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

BISPO RECUSA COMENDA NO SENADO...

Dom Manoel Edmilson da Crua

Dom Manuel Edmilson da Cruz, bispo emérito de Limoeiro do Norte, do Ceará, recusou a comenda de Direitos Humanos Dom Hélder Câmara, que este ano foi conferido pelo Senado, pela primeira vez. O protesto do bispo foi motivado pelo reajuste de 62% que os parlamentares concederam aos seus próprios salários. Na sessão de entrega da comenda, ao usar da palavra, Dom Manoel lamentou que o Congresso tenha aprovado aumento para seus próprios salários, enquanto os trabalhadores no transporte coletivo de Fortaleza mal conseguiram 6% de reajuste, em suas reivindicações trabalhistas recentes.
Finalizou dizendo: “Enquanto o Congresso premia a si próprio, as aposentadorias estão reduzidas e o salário mínimo cresce 'em ritmo de lesma'. Só me resta uma atitude: recusá-la (a comenda). Ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão, ao contribuinte, para o bem de todos com o suor no seu rosto e a dignidade no seu trabalho... o deputado e o senador que aprovaram o reajuste 'não é parlamentar. É para lamentar” – concluiu.

domingo, 5 de dezembro de 2010

ALAGOINHAS – BAHIA: CHEGADA DOS CAPUCHINHOS

CAPUCHINHOS COMEMORAM 70 ANOS EM ALAGOINHAS – BAHIA




Igreja e Convento São Francisco - Alagoinhas - Bahia


Os frades Capuchinhos de Alagoinhas comemoram os 70 anos da chegada na cidade no dia 21 de novembro de 2010, às 18h na igreja de São Francisco de Assis.
A solenidade foi precedida por um tríduo preparatório, tendo como tema: CAPUCHINHOS - 70 ANOS DE VIDA E MISSÃO NESTE CHÃO.
A missa festiva foi presidida pelo bispo capuchinho Dom Frei Manoel Delson, filho da Província, ex-provincial e, hoje, bispo da Diocese de Caicó (RN), tendo como concelebrantes Dom Paulo Romeu, bispo de alagoinhas, Frei Rubival, ministro provincial e outros sacerdotes capuchinhos e diocesanos.
No final da celebração houve alguns depoimentos de religiosos, do Bispo de Alagoinhas, de sacerdotes e leigos.
O senhor Marco Antunes – que estava também representando o Prefeito municipal na sua função de Vice – deu seu depoimento como autoridade e como paroquiano. Emocionado disse:


Marco Antunes

“Há 70 anos, Alagoinhas recebeu a graça de aqui chegarem os Frades Capuchinhos, trazendo na bagagem a confiança e esperança de fundarem um convento e uma igreja. Foram eles, segundo o historiador Salomão Barros: Frei Pedro, Frei Boaventura e Frei Estêvão. Ficou decidido que a propriedade – casa e terreno dos herdeiros de Cid Valverde Bastos seria o local propício.
No ano seguinte, chegaram Frei Henrique, Frei Isaias e Frei Celestino de San Marino. As obras começaram
.




Hoje, 70 anos depois, estamos reunidos nesta esplendorosa igreja dedicada a São Francisco, à sombra do sacro convento, para celebrar e agradecer a Deus por sermos testemunhas beneficiárias do resultado da semente plantada e tão bem cuidada pelos Frades Capuchinhos que conosco continuam a caminhar, nos apontando sempre a estrada de Jesus, à luz do belo e simples carisma franciscano.
Tenho 59 anos de idade – 56 convivendo na aprazível e serena sombra desta igreja e deste convento com os Frades Capuchinhos – sacerdotes e estudantes que por aqui passaram. Conheci quase todos, desde os primeiros. Aqui, vivi minha infância, juventude e idade adulta; aqui, recebi sólida formação religiosa; aqui, desejo permanecer até o final de minha vida.

Não consigo entender Alagoinhas sem a existência deste pedacinho de chão, deste convento e desta igreja que tantas luzes lançam sobre a vida e a história de nosso povo.

Por isso, tenho a honra de, em nome do povo de Alagoinhas, em nome de minha família e dos meus amigos, dizer feliz e emocionado: Muito obrigado à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos; muito obrigado a todos que por aqui passaram, aos velhos e queridos amigos Frei Everaldino e Tiago, e especialmente muito obrigado a Frei Virgínio de Civitanova (Frei Dário) por uma efetiva participação na minha formação moral e religiosa. Minha mulher, meus filhos e netos também lhe são gratos, Frei Virgínio.

“Que Deus abençoe aos Frades Capuchinhos e que eles, em nome de Deus, continuem a nos abençoar pelos tempos vindouros, Muito Obrigado”.


CAPUCHINHOS EM ALAGOINHAS

Tudo aconteceu assim: No dia oito de dezembro de 1939, Frei Pedro de Crispiero, custódio provincial da Bahia e Sergipe, acompanhado de Frei Boaventura de Elcito e de Frei Estêvão de Recanati, com a finalidade de encontrar um lugar para a construção do convento e seminário.
Encontraram o sítio de D. Adélia Valverde Bastos, situado à Rua 24 de outubro (atual Lauro de Freitas) e decidem por este local. Aos 26 de dezembro de 1939, já era passada a escritura do terreno.
Em fevereiro de 1940, é enviado para Alagoinhas, o Frei Gregório de San Marino que dá início aos alicerces, passando em seguida, aos cuidados de Frei Estêvão de Recanti.
Aos 26 de janeiro de 1941, eram inaugurados o convento e seminário, passando a residir os quatro religiosos: Frei Inocêncio, Frei Pedro de Cispiero, Frei Germano de Colli e Frei Isaías de Civitanova e mais 20 seminaristas.

OS CAPUCHINHOS ASSUMEM A PARÓQUIA DE SANTO ANTÔNIO EM ALAGOINHAS


Frei Fidélis de Itabaina - Primeiro Pároco capuchinho da Paróquia Santo Antônio em Alagoinhas- Bahia

No dia 16 de junho de 1954, devido ao afastamento do Vigário, Cônego Afonso Godinho, dos trabalhos paroquiais, é nomeado, pelo senhor Cardeal Dom Augusto Álvaro da Silva, Frei Fidélis de Itabaiana, como Vigário substituto da Paróquia de Alagoinhas, tendo como colaboradores, os confrades: Frei Isidoro de Loreto, Frei Benjamim de Villa Grande, Frei Caetano de Altamira, Frei Silvério de Cingoli e Frei Apolônio de Barra de São Pedro.
Em novembro deste mesmo ano, a responsabilidade da paróquia passa para o Padre Rosalvo Pimentel. E aos dois de maio de 1955, por determinação do senhor Cardeal, a Paróquia passa novamente a ser assumida pelos religiosos Capuchinhos, tendo como encarregado da freguesia, Frei Fidélis de Itabaiana.
Entre muitas atividades espirituais, realizadas pelos frades Capuchinhos, nesta cidade, podemos destacar ainda as seguintes construções:
• Lançamento da primeira pedra da nova Capela Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de maio de 1956, tendo como encarregado da construção, Frei Caetano de Altamira.
• Lançamento da primeira pedra da nova Igreja Matriz, no dia 20 de abril de 1958 e fase inicial da Capela Nossa Senhora de Fátima, sendo vigário, Frei Leão de Marotta. (neste mesmo ano Frei Caetano foi nomeado Bispo de Ilhéus).
• Aquisição de uma casa, à Rua Teresópolis, nº 584, onde funcionaria o Palácio Residencial do bispo da futura Diocese de Alagoinhas, sendo responsável Frei Virgínio de Civitanova (Frei Dário Romitti).
• Conclusão dos trabalhos da nova Matriz, em 31 de junho de 1965.
• Reforma das capelas de Aramari e Riacho da Guia.

À frente desses trabalhos mencionados, tivemos como Vigário da Paróquia Santo Antônio, os seguintes Frades:

Frei Fidelis de Itabaiana (16/06/1954);
Frei Leão de Marotta pároco de Alagoinhas. Foi ele quem lançou a primeira pedra da futura catedral, deixando quase concluída a construção. Os padres alemães concluíram-na, tendo à frente o Pe. Casimiro Spielmann que na época era pároco da Paróquia Santo Antônio em Alagoinhas e Vigário Geral da Diocese. Frei Leão de Marotta (Frei Leão Ricci) (12/03/1957);


Frei Lourenço de Conquista (23/03/1963);
Frei Germano de Colli del Tronto (Frei Germano Citeroni) (02/02/1964).
Frei Virgínio Civitanova (Frei Dário Romitti) (02/02/1966).

FUNDAÇÃO DA PARÓQUIA SÃO FRANCISCO DE ASSIS


Frei Virgínio de Civitanova (Frei Dário Romitti) - Primeiro pároco da Paróquia São Francisco de Assis - Alagoinhas / Bahia Frei Tiago de Assis Batista- segundo pároco da paróquia são Francisco de Assis Batista


Frei Everaldino Pires de Oliveira - terceiro pároco da Paróquia são Francisco - Alagoinhas


Com a divisão da paróquia de Alagoinhas, foi criada a 25 de abril de 1968, a paróquia São Francisco, ficando como responsáveis da mesma, os Frades Capuchinhos, sendo nomeado Frei Virgínio de Civitanova como primeiro Vigário, seguido por Frei Tiago de Assis Batista e depois por Frei Everaldino Pires de Oliveira (24 de março de 1975).

Após 19 anos de criação da Paróquia, assume Frei Carlos Inácio de Souza, aos oito de março de 1987, permanecendo até janeiro de 1991. Com a transferência de Frei Carlos Inácio para Itabuna, assume a Paróquia na condição de pároco o Frei José Jorge Rocha até 23 de julho de 1992, deixando a coordenação da Paróquia com o Frei Edmilson Pereira dos Santos, que fica até o dia 01 de dezembro de 1995, quando assume o Frei Orlando Santos Oliveira até o ano 2000.
Frer Orlando Santos Oliveira - Pároco da paróquia São Francisco de Assis (1995 - 2000).

No decorrer destes anos, foram construídas várias capelas nas diversas comunidades da Paróquia, inclusive a restauração do telhado da igreja São Francisco e a construção do Lar Franciscano e da Casa da Fraternidade, a reforma da Igreja Matriz de Araçás.
Em janeiro do ano 2000, o Frei Anilson Cardoso Vasconcelos, foi nomeado Pároco desta paróquia.
Frei Anilson Cardoso Vasconcelos

Depois, foram párocos: Frei Eliomar, Frei Manoel e Frei Sebastião.
A paróquia São Francisco contava com 54 comunidades, sendo 12 na zona urbana e 41 na zona rural. Algumas já estavam com uma boa caminhada, enquanto outras ainda em fase inicial.
Com a fundação da Paróquia de Santa Terezinha e de Araçás, a Paróquia de São Francisco perdeu grande parte de seu território urbano e rural.


domingo, 21 de novembro de 2010

DISCURSO DO PAPA AOS BISPOS DO NE 3

Discurso do Papa Bento XVI aos Bispos do Brasil (Nordeste 3) em visita ad limina – 2010

Senhor Cardeal,

Amados Arcebispos e Bispos do Brasil,


 

Saúdo calorosamente a todos vós, por ocasião da vossa visita ad Limina a Roma, aonde viestes reforçar os vossos vínculos de comunhão fraterna com o Sucessor de Pedro e por ele serdes animados na condução do rebanho de Cristo. Agradeço as amáveis palavras que Dom Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna, dirigiu-me em vosso nome, e vos asseguro as minhas orações pelas vossas intenções e pelo amado povo nordestino, do vosso regional Nordeste 3.


 

Há mais de cinco séculos, justamente na vossa região, se celebrava a primeira Missa no Brasil, tornando realmente presente o Corpo e o Sangue de Cristo para a santificação dos homens e das mulheres desta bendita nação que nasceu sob os auspícios da Santa Cruz. Era a primeira vez que o Evangelho de Cristo vinha a ser proclamado a este povo, iluminando a sua vida diária. Esta ação evangelizadora da Igreja Católica foi e continua sendo fundamental na constituição da identidade do povo brasileiro caracterizada pela convivência harmônica entre pessoas vindas de diferentes regiões e culturas. Porém, ainda que os valores da fé católica tenham moldado o coração e o espírito brasileiros, hoje se observa uma crescente influência de novos elementos na sociedade, que há algumas décadas eram-lhe praticamente alheios. Isso provoca um consistente abandono de muitos católicos da vida eclesial ou mesmo da Igreja, enquanto no panorama religioso do Brasil, se assiste à rápida expansão de comunidades evangélicas e neo-pentecostais.


 

Em certo sentido, as razões que estão na raiz do êxito destes grupos são um sinal da difundida sede de Deus entre o vosso povo. É também um indício de uma evangelização, a nível pessoal, às vezes superficial; de fato, os batizados não suficientemente evangelizados são facilmente influenciáveis, pois possuem uma fé fragilizada e muitas vezes baseada num devocionismo ingênuo, embora, como disse, conservem uma religiosidade inata. Diante deste quadro emerge, por um lado, a clara necessidade que a Igreja católica no Brasil se empenhe numa nova evangelização que não poupe esforços na busca de católicos afastados bem como daquelas pessoas que pouco ou nada conhecem sobre a mensagem evangélica, conduzindo-os a um encontro pessoal com Jesus Cristo, vivo e operante na sua Igreja. Por outro lado, com o crescimento de novos grupos que se dizem seguidores de Cristo, ainda que divididos em diversas comunidades e confissões, faz-se mais imperioso, da parte dos pastores católicos, o compromisso de estabelecer pontes de contato através de um sadio diálogo ecumênico na verdade.


 

Tal esforço é necessário, antes de qualquer coisa, porque a divisão entre os cristãos está em contraste com a vontade do Senhor de que «todos sejam um» (Jo 17,21). Além disso, a falta de unidade é causa de escândalo que acaba por minar a credibilidade da mensagem cristã proclamada na sociedade. E hoje, a sua proclamação é talvez ainda mais necessária do que há alguns anos atrás, pois, como bem demonstram os vossos relatórios, mesmo nas pequenas cidades do interior do Brasil, observa-se uma crescente influência negativa do relativismo intelectual e moral na vida das pessoas.


 

Não são poucos os obstáculos que a busca da unidade dos cristãos tem por diante. Primeiramente, deve-se rejeitar uma visão errônea do ecumenismo, que induz a um certo indiferentismo doutrinal que procura nivelar, num irenismo acrítico, todas as "opiniões" numa espécie de relativismo eclesiológico. Paralelamente a isto está o desafio da multiplicação incessante de novos grupos cristãos, alguns deles fazendo uso de um proselitismo agressivo, o que mostra como a paisagem do ecumenismo seja ainda muito diferenciada e confusa. Em tal contexto – como afirmei em 2007, na Catedral da Sé em São Paulo, no inesquecível encontro que tive convosco, bispos brasileiros – «é indispensável uma boa formação histórica e doutrinal, que habilite ao necessário discernimento e ajude a entender a identidade específica de cada uma das comunidades, os elementos que dividem e aqueles que ajudam no caminho da construção da unidade. O grande campo comum de colaboração devia ser a defesa dos fundamentais valores morais, transmitidos pela tradição bíblica, contra a sua destruição numa cultura relativista e consumista; mais ainda, a fé em Deus criador e em Jesus Cristo, seu Filho encarnado» (n. 6). Por essa razão, vos incentivo a prosseguir dando passos positivos nesta direção, como é o caso do diálogo com as igrejas e comunidades eclesiais pertencentes ao Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, que com iniciativas como a Campanha da Fraternidade Ecumênica ajudam a promover os valores do Evangelho na sociedade brasileira.


 

Prezados irmãos, o diálogo entre os cristãos é um imperativo do tempo presente e uma opção irreversível da Igreja. Entretanto, como lembra o Concílio Vaticano II, o coração de todos os esforços em prol da unidade há de ser a oração, a conversão e a santificação da vida (cf. Unitatis redintegratio, 8). É o Senhor quem doa a unidade, esta não é uma criação dos homens; aos pastores lhes corresponde a obediência à vontade do Senhor, promovendo iniciativas concretas, livres de qualquer reducionismo conformista, mas realizadas com sinceridade e realismo, com paciência e perseverança que brotam da fé na ação providencial do Espírito Santo.


 

Queridos e venerados irmãos, procurei evidenciar brevemente neste nosso encontro alguns aspectos do grande desafio do ecumenismo confiado à vossa solicitude apostólica. Ao despedir-me de vós, reafirmo uma vez mais a minha estima e a certeza das minhas orações por todos vós e pelas vossas dioceses. De modo particular, quero aqui renovar a expressão da minha solidariedade paterna aos fiéis da diocese de Barreiras, recentemente privados da guia do seu primeiro e zeloso pastor Dom Ricardo José Weberberger, que partiu para a casa do Pai, meta dos passos de todos nós. Que repouse em paz! Invocando a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, concedo a cada um de vós, aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas, aos seminaristas, aos catequistas e a todo povo a vós confiado uma afetuosa Bênção Apostólica.